Em Marcos 16:15-18 vemos Jesus dando a grande comissão aos discípulos, ordenando-os a irem anunciar o evangelho a todos; o Mestre ainda alertou sobre os sinais que seriam manifestados pelos crentes, dentre eles está o falar em novas línguas. Vemos isso acontecendo no dia de pentecostes, em Atos 2:4, e novamente em Atos 19:5, quando Paulo batiza alguns em nome do Senhor Jesus.

É importante dizer que existe uma diferença entre falar em línguas para edificação própria, ou oração em línguas, em comparação a falar em línguas para edificação coletiva, ou variedade de línguas, quando está presente a interpretação do que está sendo dito ou quando o ouvinte entende em sua própria língua o que fora dito. Paulo deixa isso muito claro ao afirmar que o dom da profecia é maior que o de falar em línguas, salvo quando esta estiver acompanhada de interpretação e seja para fortalecimento da igreja (1 Coríntios 14:5-6). Em outras palavras, existe um tipo de falar em línguas que é menor do que a profecia (oração em línguas para edificação própria) e um outro tipo que não é menor do que a profecia (variedade de línguas para edificação coletiva).

Em Marcos 4:26-27, Jesus explica que o reino de Deus é como um lavrador que semeia sobre a terra. Esteja o semeador dormindo ou acordado, as sementes germinam e crescem independente do quanto ele entenda sobre germinação. Da mesma forma, não é preciso que entendamos tudo sobre orar em línguas para praticarmos, pois o resultado não depende do nosso entendimento racional. O falar em línguas é tão importante que Paulo dava graças a Deus, pois falava em línguas mais do que qualquer outro dentre os coríntios (1 Coríntios 14:18).

A oração não deve ser apenas para agradecer, pedir e receber, mas também deve ser um ambiente de revelação de coisas ocultas, senão o que significariam as palavras de Jeremias 33:3 “Pergunte-me e eu lhe contarei coisas maravilhosas, segredos que você não sabe, a respeito do que está por vir.” ? Aliás, o próprio Paulo afirma que aquele que ora em línguas, pelo espírito fala verdades ocultas (1 Coríntios 14:2). Ora, no Salmo 139:16, vemos o salmista confessar que cada dia de sua vida fora registrada em um livro do Senhor, cada momento fora estabelecido antes mesmo de existir. Embora o homem não tenha acesso livre à “biblioteca do Senhor”, o Espírito que no homem habita tem este acesso, daí a revelação.

Judas também recomenda a oração em Espírito (Judas 1:20). E por que isso? A resposta está em Romanos 8:26-27, é porque não sabemos orar de acordo com a vontade do Senhor, mas o Espírito nos ajuda, intercedendo com sons inexprimíveis. É assim que a oração no Espírito edifica a quem ora, pois transforma aquela oração em algo assertivo em comparação com a vontade de Deus, ou seja, é orar na própria vontade do Pai, o qual, não esqueçamos, é Espírito, e por isso importa que o adoremos em espírito e em verdade (João 4:24).

Como se depreende de 1 João 5:14-15, orar na vontade de Deus é uma forma infalível de se obter aquilo pelo qual oramos e a sintonia com o Espírito é muito importante para isso, mas também o é, pois é daí que vem a confiança de sermos de fato filhos de Deus (Romanos 8:16), pelo que nosso Pai nos ouvirá.

Mas como identificar a voz do Espírito em nós? Como saber que não é um simples pensamento? De fato, é muito difícil esse discernimento, pois na maioria de nós a alma e o espírito estão tão próximos um do outro que se confundem, de forma que não conseguimos separar facilmente o que vem do espírito daquilo que vem de nosso próprio conhecimento, pensamentos, sentimentos e emoções. Mas o primeiro passo é sem dúvidas aprofundar na palavra de Deus, que é mais cortante do que qualquer espada, e é capaz de separar alma e espírito (Hebreus 4:12), facilitando assim o discernimento. Além disso, é preciso desenvolver sensibilidade ao direcionamento de Deus, praticando a oração em línguas, pois como vimos, quem ora em línguas, em Espírito ora, conforme ensinou Paulo.