Em Marcos 1 a partir do versículo 21, vemos Jesus expulsando um demônio dentro de uma sinagoga, causando grande espanto e admiração daqueles que o ouviam, pois tudo que fazia era com autoridade, diferente dos demais mestres da lei. Até este momento, nenhum outro homem na bíblia apresentou autoridade para repreender demônios. Veja, no antigo testamento, vemos o Senhor Deus dizendo que repreenderá o devorador (Malaquias 3:11). Também verificamos em 1 Samuel 16:23 que o espírito imundo se afastava de Saul quando Davi tocava seu instrumento, mas ainda assim Saul suicidou-se (1 Samuel 31:4), o que revela que o espírito das trevas retornava à Saul.
Na verdade, o exercício da autoridade espiritual por um homem na terra foi exercida pela primeira vez por Jesus, e é por isso que as pessoas daquele tempo não compreenderam e acharam que estavam testemunhando uma nova doutrina. Esqueceram-se que Isaías já havia profetizado a unção messiânica, segundo a qual um homem com o espírito do Senhor proclamaria a libertação de cativos e colocaria em liberdade os algemados (Isaías 61:10). Não se trata aqui de libertar cativos de cadeias naturais, mas sim espirituais. O próprio Jesus assevera que o seu ministério foi profetizado por Isaías (Lucas 4:16-21). Assim, Jesus é o homem com Espírito do Senhor que veio com autoridade para cumprir a profecia do Messias, mas seus contemporâneos não creram, embora a sua unção tenha sido pública, no rio Jordão, onde todos que ali estavam ouviram a voz do céu dizer “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.” (Mateus 3:17).
Posto isto, analisemos a afirmação de Jesus ao dizer que veio para libertar os cativos e os oprimidos. Essa afirmativa indica que cativos e oprimidos são coisas distintas e não sinônimos. Em verdade, cativo é aquele que está completamente possuído por demônios, nem sequer se dá conta. Não tem mais manifestação de vontade, pois seu corpo já não lhe pertence. Incorporam espíritos imundos, por meses, dias, horas ou mesmo segundos. É o caso do endemoniado gadareno em Marcos 5, e o do rei Nabucodonosor, que viveu como animal (Daniel 4:33). Ora, o inimigo torna o homem cativo e assim o homem perde a imagem e semelhança de Deus e se torna como bicho, vivendo pelo instinto e pela carne e não por princípios. O cativeiro tem níveis, de forma que o homem pode estar em cativeiro e não tomar conhecimento disso. Muitos são os casos de pessoas cativas que ouvem vozes, perdem o sentido e cometem atrocidades.
Quanto à opressão, neste caso os demônios conduzem o homem, mas este ainda mantém consciência, pois tem suas percepções ativas. É como se fosse um cavalo sendo conduzido por um cavaleiro: o cavalo é o homem oprimido e o cavaleiro são os espíritos das trevas. Às vezes o cavalo é solto e se move livremente pelos campos, mas quando o cavaleiro põe os arreios, conduz o animal para onde quer, pois este tudo observa e obedece. O homem oprimido sucumbe aos vícios, tais como drogas, jogos, pornografia... Os impulsos são mais fortes do que o próprio controle e o homem é levado por eles.
A autoridade dada a Jesus pelo Espírito de Deus, foi dada pelo próprio Jesus aos seus doze discípulos (Mateus 10:1) e este ato de delegar autoridade sobre espíritos imundos e curar toda sorte de doenças e enfermidades foi o primeiro ato de Jesus em relação aos seus discípulos, antecedendo até mesmo as orientações para irem pregar as boas novas. Ora, o mesmo se verifica quando Jesus manda os outros 70 discípulos, pois quando eles retornam, declaram “Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam.” (Lucas 10:17), portanto a eles também foi dada autoridade. E isso chama atenção: antes do “ide”, é preciso a autoridade, pois o embate com as trevas é inevitável ao se pregar o evangelho a todas as criaturas. É por isso que Jesus afirma “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.” (Lucas 10:19,20). Ora, esta mesma autoridade dada aos 12 e depois aos 70, foi também dada a todo aquele que crê no evangelho, pois expulsar demônios é um dos vários sinais dos que creem (Marcos 16:15-18).
Paulo ensina que a luta não é contra a carne e o sangue, mas contra principados e potestades nas regiões celestiais (Efésios 6:12) e para ser vitorioso nessa luta, é preciso antes tomar posse desta afirmação: que todo aquele que crê no evangelho está dotado de autoridade para pisar na cabeça do inimigo, e Deus já falou isso desde Gênesis, quando repreendendo a serpente afirmou que colocaria inimizade entre a serpente e a mulher e entre os descendentes desta e daquela: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:15). Foi através da mulher que o Filho do Homem veio ao mundo com a autoridade sobre o reino das trevas.
Ora, Satanás precisou ser expulso do céu, não saiu porque quis, mas sim por meio de peleja no céu (Apocalipse 12:7,8). Quando diante do Messias, não se rendeu, ao contrário, quis subjugá-lo dizendo “Tudo isso lhe darei se, prostrado, você me adorar.” (Mateus 4:9). Assim, nem no céu na presença de Deus, nem na terra na presença de Jesus o diabo se rendeu pacificamente. Da mesma forma, não se renderá pacificamente diante do homem só por ser ele crente convertido. É preciso que se tome posse da autoridade e seja ela exercida para expulsar o inimigo da casa do homem e de toda sua parentela, e finalmente da terra.
Para concluir, leia o Salmo 149. Este salmo fala de batalha espiritual, derrotar o inimigo, prender os seus reis e nobres e executar a sentença escrita. A sentença escrita é a determinada desde a Cruz, isto é, a derrota de Satanás, condenado que foi, mas embora tenha perdido, ainda insiste em assolar toda a terra com seus demônios, sendo a Igreja de Cristo a responsável por executar a sentença, por meio da autoridade que possui (Isaías 13:3).
